Conforme prometemos na aula Epistemologia e seus Conceitos Básicos, discutiremos, aqui, como


Como já vimos, o método empírico contrapõe
O método hipotético-dedutivo compõe-se de quatro fases:
Copérnico
(1473-1543) superou mera acumulação
de dados
astronômicos e ajustes no
modelo Ptolomaico.Mas isso foi uma Revolução, pois o Homem deixou sua posição privilegiada no centro do Universo.

O Empirismo afirma que a experiência sensorial é a única fonte do conhecimento, rejeitando
e colocando-se em oposição ao Racionalismo, de que falaremos em seguida.
Não se deve confundir 'experiência', no sentido técnico, já abordado na aula Realidade e Ciência, com 'experiências de vida', 'experiências anteriores', 'ter experiência' e outras expressões de uso comum (senso comum)!
Bacon,
político, filósofo
e ensaísta inglês, barão
Verulam, visconde de St. Albans, é chamado de 'fundador
da
ciência
moderna' por pregar o método
empírico
para a busca do
conhecimento.Sua obra mais importante é Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza), onde expõe o método indutivo.
No entanto, é importante notar que, no Antigo Egito, a Medicina já tinha seus métodos de diagnóstico, tal como descritos no papiro Edwin Smith (circa 1600 a.C.), como já mencionado na aula História da Epistemologia.
Também Ibn Al-Haitham, já no séc. X, punha ênfase na busca da verdade e no uso de experimentos para decidir entre duas hipóteses.
Bacon
pretendia
realizar uma Instauratio magna
(uma grande
Restauração) no pensamento filosófico
e científico por forma a
substituir o método Aristotélico e o
Escolasticismo, que considerava
estéril e sem resultados práticos, ou seja, muito
contemplativa e pouco
operativa, muito especulativa e pouco tecnológica.Bacon pregava
Bacon escreveu,
também, New
Atlantis (1626), a 1ª utopia
moderna, após a República de
Platão,
vista na aula História
da Epistemologia.Nela, descreve a Casa de Salomão, uma Universidade ou instituto de pesquisas em que os cidadãos participavam realizando todo tipo de experiências.

Diz-se que esta obra inspirou a posterior criação da Royal Society (1660) de Londres (Sociedade Real de Londres para o Progresso do Conhecimento da Natureza).
Vale lembrar que o lema da Royal Society é Nullius in verba (literalmente, 'nas palavras de ninguém') significando a intenção de estabelecer a verdade no domínio dos fatos, baseando-se somente na experiência científica, e jamais nas palavras de uma autoridade.
Galileu
expressava seu empirismo afirmando que "só
o livro
da natureza é o
objeto
próprio da ciência e este
livro é interpretado e lido apenas pela experiência".Galileu foi, também, o responsável pela 'geometrização' da Ciência, isto é, pela introdução da Matemática, onde o discurso era apenas filosófico.
Considera-se este momento o da passagem da Filosofia à Ciência.
Ele afirmava que"só o raciocínio pode estabelecer as relações matemáticas entre os fatos da experiência e construir uma teoria científica dos próprios fatos" e que "as deduções que derivam matematicamente destas hipóteses devem ser confrontadas com a experiência e confirmadas com experimentos repetidos antes de poderem ser declaradas válidas".
No entanto, Galileu teve de enfrentar a Escolástica (veremos mais sobre a Escolástica na aula As Contribuições de Galileu e Newton).

Na pintura acima, está representada claramente a postura do escolástico Cesare Cremonini que simplesmente se recusou a olhar pelo telescópio, alegando que nos livros de Aristóteles não havia qualquer menção a manchas solares e que, portanto, essas manchas não existiam!
No entanto, apesar dessa verdadeira pregação do empirismo, várias experiências mencionadas por Galileu foram apenas experiências mentais, muitas por falta de recursos tecnológicos para sua execução (KOYRÉ, 1992).
Por exemplo, a famosa experiência da Torre de Pisa não aconteceu (CROMBIE, 1957, p. 298).
Veremos mais sobre Galileu na aula As Contribuições de Galileu e Newton.
Newton
dizia não criar
hipóteses sem
base
experimental ("Hypotheses non fingo"),
isto é, não especulativas, de base
filosófica.Dizia que seu ‘método’ consistia em que "as proposições particulares são inferidas dos fenômenos e, depois, tornadas gerais pela indução", apresentando-se, portanto, empirista-indutivista.
Veremos mais sobre Newton na aula As Contribuições de Galileu e Newton.
Lavoisier
pregava um método
analítico
para a
Química, baseada em experiências
verificáveis e reprodutíveis,
com instrumentos cada vez mais precisos e padronizados.Veja mais sobre Lavoisier na aula Lavoisier e a Revolução Química.

Por exemplo, num experimento com 100 amostras de metais diversos, observa-se que ao se aquecerem, dilatam. Por indução, declaral-se que todos os metais dilatam quando aquecidos.
Vale a pena rever a discussão sobre observações e leis na aula Epistemologia e seus Conceitos Básicos.
O Racionalismo, historicamente, deriva de Parmênides (séc. 5 a.C.), Zenão (séc. 5 a.C.) e, como já vimos na aula História da Epistemologia - Parte 3, Platão (séc. 5 a.C.).
Mas seu principal expoente é Descartes (séc. 17)
Descartes,
filósofo, físico e
matemático francês, foi, também,
conhecido
também conhecido na forma latina Renatus Cartesius,
já que provinha de uma família de
fabricantes de mapas (cartas náuticas).Foi contemporâneo de Galileu.
Com Descartes, surge a noção de Lei física, sem o cunho teológico, dizendo que a lei é eficaz por si mesma, sem a necessidade de uma entidade ou divindade para sua execução.
Veja mais na biografia de Descartes.
O Racionalismo prega, assim, que o conhecimento deve ser baseado na certeza, por dedução, que começa numa busca do começo racional do conhecimento.
Por exemplo,
| Premissa maior | Todo ser humano é mortal | Geral |
| Premissa menor | Sócrates é um ser humano | Particular |
| Conclusão | Sócrates é mortal | Particular |
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