Então, como ficamos?
Fatos: são apenas os resultados de uma experiência bem controlada, baseada em causa-e-efeito.

Exemplos de fatos:
Lei: é uma generalização indutiva de correlações entre fatos (veremos mais sobre indução e seus problemas em outra aula), frequentemente em forma quantitativa. A Lei não explica o fenômeno, apenas enfatiza e descreve regularidades observadas nos fatos.

A Lei é postulada pelo pesquisador. Tal como dissemos na aula Realidade e Ciência, os cientistas não descobrem as Leis da Natureza, nossas leis, teorias e hipóteses são criações humanas e serão tão boas quanto as previsões que fizerem, no sentido que correspondam bem aos fenômenos observados, que se ajustem bem aos dados.
Tal como na metáfora de Whewell (apud MIGUEL; VIDEIRA, A distinção entre os “contextos”... ), a indução é como a composição de um cordão de pérolas: "as pérolas estão lá, mas elas não se unirão até alguém providenciar o cordão". As 'pérolas' são os fatos, e a união, ou coligação, destes depende do fio, que é a concepção. O 'cordão de pérolas' é a lei do fenômeno ou uma teoria causal que a explica.

Exemplos de leis:
Teoria: é uma tentativa ou proposta de explicação para os fatos, do seu porquê, do porque ocorre daquela forma.
A Teoria é ilógica, no sentido em que não se pode ser demonstrada lógicamente!

Uma boa teoria deve não só se ajustar bem aos fatos e leis conhecidos, como deve predizer novos fatos e leis, ainda não constatados; e é a verificação dessas previsões é que vai dar ou tirar força da teoria.
Mas, ao contrário do que aparece nos livros-texto, uma teoria não pode ser provada pelos fatos.
Portanto, da teoria, se podem derivar as Leis correspondentes, por dedução.
Com isso, as Leis podem ser obtidas de duas formas:

Teremos uma discussão sobre indução e dedução na aula Racionalismo e Empirismo.
Ex.: Teorias
No entanto, como vimos na aula Por que História e Epistemologia da Ciência?, os livros texto, em geral, apresentam a História da Ciência como uma marcha triunfante de sucesso em sucesso, suprimindo as [importantes] contradições que marcaram o seu desenvolvimento (ROBILOTTA, O cinza, o branco e o preto), obliterando teorias que foram científicas em certa época e foram, posteriormente, superadas, tal como, por exemplo, a Teoria do Flogístico, que, como veremos na aula Lavoisier e a Revolução Química, tinha um grande poder explanatório, o que muito contribuiu para sua sobrevivência.
O que você vê aqui?
O que você vê?
O que você vê?
O que você vê?

O que você vê?

Aí eu divago, pensando se as 'Leis da Natureza' não seriam meros píxeis e se nos concentrando nelas, olhando-as muito de perto, deixamos de ver o todo que formam em conjunto.

Princípio (pressuposto, postulado): é uma expressão de crenças e paradigmas. É algo que se acredita que seja verdadeiro ou que se quer que seja verdadeiro, mas não se pode demonstrar que é verdadeiro (senão seria um teorema), nem se testar (senão seria uma lei).
Ex.: Princípios
Acredita em verdades absolutas!

"Se a única ferramenta que se tem é um martelo, tudo parece um prego". (MASLOW, The Psychology of Science, 1966, cap. 2, p. 15)

Conceito: é construído por abstrações, induzidas de observações particulares.
Ex.: verde, ouro.
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