Elaborou uma epistemologia histórica procurando considerar as ciências no seu desenvolvimento, no que se chamou de psicanálise do conhecimento objetivo.
Bachelard construiu um arquivo de arquétipos que se encontram na base de toda criação, distribuídos em
Esta ideia seria aproveitada depois por Piaget & Garcia em seu trabalho Psicogênese e História das Ciências (1987) (vide abaixo).
Para Bachelard, como vimos sobre sua posição sobre o Papel do Experimento, na aula Realidade e Ciência, "O fato científico é sempre artificial, delicado, escondido". Para ele, "Uma medida precisa é sempre uma medida complexa; é, portanto, uma experiência organizada racionalmente." (BACHELARD, O Novo Espírito Científico)..
Afirmava que o conhecimento comum é um 'obstáculo epistemológico', isto é, dificulta a aquisição do conhecimento científico. Esta ideia encontrou eco, posteriormente, no projeto das Concepções Alternativas.
‘Para Bachelard, 'erro’ é um dos tempos da dialética.
Bachelard apontava obstáculos de ordem pedagógica, tais como:
Piaget,
suiço, doutorou-se em Biologia mas considerava-se um
epistemólogo.Piaget elaborou uma Epistemologia genética, a qual, em oposição à Epistemologia clássica, é não-apriorística, não acredita em 'ideias primeiras', platônicas.
Os resultados de seus trabalhos demonstram que o conhecimento é construído pelo sujeito, a partir das suas interações com o objeto, e ao longo do seu percurso de vida.
Assim, por exemplo, o 'grupo dos deslocamentos' não tem nada de a priori, como julgava Poincaré. (PIAGET, Lógica e Conhecimento Científico)
Suas investigações o levaram ao desenvolvimento da teoria sobre a gênese da inteligência: só a inteligência alcança a reversibilidade completa, o que não acontece, por exemplo, com a percepção ou a experiência.
Piaget & Garcia, em seu trabalho Psicogênese e História das Ciências (1987) procuraram
"mostrar que os mecanismos da passagem de um período histórico ao seguinte são análogos aos da passagem de um estádio psicogenético ao seu sucessor."
"O fato fundamental para a epistemologia das ciências é que o sujeito, partindo de níveis muito baixos, de estruturas pré-lógicas, chegará a normas racionais isomorfas das estruturas das ciências quando do seu nascimento." (PIAGET; GARCIA, 1987)
"Os exemplos mais salientes são sem dúvida as explicações sucessivas que as crianças dão da transmissão de movimento, as quais se elaboram em função das operações do seu pensamento e são comparáveis às explicações do «impetus», dadas em épocas sucessivas por pensadores diferentes, desde Aristóteles a Buridan e Benedetti" (INHELDER, in PIAGET; GARCIA, 1987)
O desenvolvimento do conhecimento permite ao sujeito reconhecer as propriedades do objeto que são invariantes com relação às distintas situações cognitivas, das quais se derivam as possibilidades para superar o subjetivismo e alcançar uma maior objetividade do saber.
Popper,
austro-húngaro, doutorou-se em Psicologia mas é
conhecido como filósofo da ciência.Popper aconselhava o uso do método hipotético-dedutivo, o qual opera fazendo conjecturas teóricas audaciosas que seriam refutadas ou não pelos cientistas, através da experimentação.
Ficou famoso por defender o falsificacionismo
(vide abaixo) como
um critério de demarcação entre a
ciência e a não-ciência.
Conforme vimos sobre a Crítica ao Indutivismo na aula Racionalismo e Empirismo, o método indutivo é criticado justamente por seu 'salto indutivo' epistemologicamente injustificável do particular para o geral.
Como vimos nessa mesma aula, ao contrário do que propunha Bacon, nenhum número restrito de observações pode acarretar logicamente um enunciado irrestrito. Um milhão de evidências não provam uma teoria!
Popper argumentava que é possível derivar conclusões verdadeiras a partir de premissas falsas:
Com isso, vê-se que não há 'retransmissão da verdade' das conclusões (observações) para as leis, isto é, observações verdadeiras não fazem necessariamente leis verdadeiras, contrariando o princípio da indução.
Como vimos sobre o Paradoxo
do corvo, na aula Racionalismo
e Empirismo, a afirmação "este corvo
é preto" não implica em que
"Todo corvo é
preto"Podem-se, na verdade, criar diferentes generalizações (leis) a partir de um mesmo conjunto de observações. Como vimos lá,
'Esta maçã é vermelha' tanto corrobora a 'lei' 'Todos os corvos são pretos', como a 'lei' 'Todos corvos são brancos'!
Como vimos sobre os métodos dedutivo e indutivo, na aula Racionalismo e Empirismo,
Uma observação é enunciado singular (p) (particular);
Uma lei é um enunciado universal (P) (geral);
Na dedução, vamos de um universal para um singular (P->p);
Na indução, vamos de um singular para um universal (p->P), o que não é permitido pela Lógica.
Popper, de certa forma, resolveu o problema da indução, mencionado acima, invertendo o processo.
Ele observou que, embora observações particulares (p) do tipo "este corvo é preto" não podem ser usadas para embasar a afirmação universal (P) "Todo corvo é preto", a observação singular (~p) "este corvo é branco" serve, ao contrário, para mostrar que a afirmação universal (~P) "Todo corvo é preto" é falsa, usando a conhecida regra inferencial chamada modus tollens:
Assim, segundo Popper, resultados podem apenas falsificar uma teoria, nunca prová-la.
Essa postura epistemológica Popper designou de Racionalismo Crítico, enfatizando sua rejeição tanto ao Racionalismo clássico quanto ao Empirismo-indutivista, já vistos na aula Racionalismo e Empirismo.
Segundo ela,
Apesar deste último item, Popper distingue-se do Positivismo, embora se aproxime mais dele do que do Empirismo ou do Racionalismo.
Por outro lado, esse princípio de falseabilidade, por vezes, encontra dificuldades, por exemplo, quando aplicado à Matemática.
Num exemplo conhecido, discute-se se e como a afirmação 2+2=4 poderia ser falsificável e, caso não possa, como poderia não ser científica? A solução de Popper é que, em Matemática pura, 2+2=4, mas, quando aplicada ao mundo real, 2 maçãs+2 maçãs=4 maçãs , esta é passível de ser falsificada experimentalmente.
Segundo essa concepção, o conhecimento progrediria, não pela verificação empírica indutiva da correção das teorias, como pregado pelo empirismo Baconiano, mas pela eliminação das teorias refutadas pela experimentação. As teorias falsificadas seriam substituídas por teorias com maior poder explanatório, isto é, seriam teorias que dessem conta também das observações que falsificaram as teorias anteriores.
Assim, por exemplo,
Assim, teorias concorrentes passam por um processo de eliminação de erros por falsificação – o que Popper via como um processo análogo à seleção natural na evolução biológica. As teorias que 'sobreviverem' a esse processo não são mais verdadeiras do que as outras, mas são as que se melhor se adaptam à situação empírica.
No entanto, ambas posturas (Baconismo e Racionalismo crítico) se servem das mesmas ferramentas: a consistência lógica e a conformidade com os fatos.
Segundo Gellner,
colega de Popper, "a
diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se
os fatos condenam os pecadores ou canonizam os
santos."(GELLNER, 1987, p. 35) "Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados." (GELLNER, 1987, p. 35)
Ironicamente, essa exigência de refutabilidade em princípio deve se aplicar ao próprio Racionalismo Crítico, sob pena de ele deixar de ser científico. Mas isso faz com que eventualmente existam proposições a que a falseabilidade não se aplique!
"É difícil dizer o que é verdade, mas às vezes é fácil identificar a mentira." (Albert Einstein)
Para Popper, conhecimento são conjeturas construídas, não apenas racionalmente mas incluindo até elementos metafísicos.
Whewell, em 1837, estabeleceu uma distinção entre os, assim denominados (MIGUEL; VIDEIRA, 2011),
Por outro lado, como vimos sobre o Papel do Experimento, na aula Realidade e Ciência, as observações são sempre impregnadas de teorias.
No entanto, uma afirmação pode sempre ser ‘salva’ por hipóteses ad-hoc. Popper exemplificou dizendo que, ao saber que 'um corvo branco foi avistado na Austrália', alguém pode introduzir a hipótese ad-hoc de que 'todos os corvos são pretos, exceto aqueles encontrados na Austrália', ou ainda pode adotar uma postura mais cínica e afirmar que 'os observadores de pássaros australianos são incompetentes'.
Tal falseabilidade ingênua (de asserções menores, tais como leis) deveria fornecer, mas, infelizmente, não fornece uma maneira de lidar com hipóteses concorrentes para muitos assuntos controversos tais como, por exemplo, teorias de conspiração e lendas urbanas. Por um lado, quando confrontadas com o fato de que não há suporte teórico para uma dada observação, pode-se argumentar que não há nada para ser visto, que tudo está normal, ou que as diferenças ou as aparencimentos são muito poucos para serem estatisticamente significativas. Do outro lado, estão aquelas pessoas que admitem que uma observação realmente ocorreu e que uma declaração universal foi falsificada, como consequência.
Para
os adeptos de teorias de
conspiração, por exemplo, o governo afirmar
repetidamente que não há provas da
existência de discos voadores, para eles, é
uma
prova de que as as provas existem e que o governo as esconde.Da mesma forma, vale lembrar o velho aforisma do cosmologista e astrofísico britânico Martin John Rees:
A ausência de evidência não é evidência de ausência!
Assim, por exemplo, somente em 1886 houve evidência
empírica da existência das ondas de rádio, quando Hertz conseguiu
produzí-las e detetá-las.
No
entanto, nos 4,5 bilhões de anos anteriores, o Sol
já banhava a Terra com radiação
eletromagnética, incluindo ondas de rádio, que
antes de Hertz não
eram detetadas.É obvio que não se pode dizer que as ondas de rádio não existiam até 1886, uma vez que não havia evidência empírica para elas até então!
Da mesma
forma,
o fato de que não se pode provar
que "Papai
Noel/coelhinho da Páscoa/etc existem"
não prova que eles não existam. Apesar disso, os céticos científicos recusam liminarmente fenômenos psíquicos, metafísicos, religiosos e dogmas (contrariando a própria idéia deles de não ter certeza absoluta a respeito de qualquer verdade), devido ao fato de ser impossível provar sua existência!
No entanto, mesmo se não se pode 'provar' alguma coisa, pode-se ter um 'razoável' grau de confiabilidade empírica na existência ou não de alguma coisa. Tudo depende do grau de confiabilidade empírica:
pode-se ter uma grande confiabilidade empírica na
não existência de sorvete na geladeira
mas, dado o tamanho do Universo, só se pode ter uma
confiabilidade muito pequena de não existirem
extraterrestres.Como vimos, a falsificação ingênua não permite que os cientistas, que dependem de critérios objetivos, apresentem uma falsificação definitiva das declarações universais (teorias).
Ao
contrário, os cientistas baseiam-se num 'holismo
epistemológico', segundo o qual, as teorias e
hipóteses científicas suportam-se mutuamente
numa rede conceitual que as interliga, como num andaime, em que cada
travessa individual contribui para a solidez do todo.
Desta
forma, uma
teoria científica não pode ser testada
isoladamente e nem refutada isoladamente por uma
observação conflitante. Nas palavras de Quine, "as teorias
enfrentam em conjunto o tribunal da experiência".
Por
exemplo, na primeira metade do século 19, os
astrônomos observavam a que trajetória
do planeta Urano apresentava
irregularidades,
discrepâncias com relação à
trajetória prevista pelas tabelas de Bouvard, calculadas segundo a Lei da Gravitação
Universal de Newton.Havia um número indeterminado de possíveis explicações para esse desvio, tais como
Bouvard aventou a explicação de que um planeta desconhecido estaria afetando a trajetória de Urano e que a hipótese de que há sete planetas do nosso sistema solar é que era falsa.
No entanto, essa explicação pareceu ousada demais para os astrônomos da época, os quais ou a rejeitaram ou deram menor importância, não se empenhando em procurar o suposto oitavo planeta.
Em 1846, o planeta interferente, o qual hoje conhecemos como planeta Netuno, foi encontrado por Galle e d'Arrest, a apenas 1° de distância da posição prevista pelos cálculos de Le Verrier.
Neste caso, foi confirmada a hipótese ad-hoc 'existe um oitavo planeta no sistema solar que causa as irregularidades na órbita de Urano' e, com isso, não apenas 'salvou' como deu mais força à Teoria da Gravitação Universal de Newton.
No entanto, Lakatos (vide abaixo)
propos um interessante exemplo
de excesso de hipóteses ad-hoc
exatamente a partir de uma situação semelhante
à do desvio da órbita de Urano:
"A história é sobre um caso imaginário de mau comportamento planetário.
Um físico da era pré-einsteiniana utiliza a mecânica de Newton e a sua lei da gravitação, N, as condições iniciais aceites, I, e calcula, com a sua ajuda, a trajetória de um pequeno planeta recém descoberto p. Mas o planeta desvia-se da trajetória calculada. Será que o nosso físico newtoniano considera que o desvio era proibido pela teoria de Newton e, portanto, uma vez determinado, ele refuta a teoria N?
Não. Ele sugere que deve existir um planeta até então desconhecido, p', que perturba a trajetória de p. Calcula a massa, a órbita, etc., deste planeta hipotético e depois pede a um astrônomo experimental que teste a sua hipótese. O planeta p' é tão pequeno que nem mesmo o melhor telescópio existente tem possibilidade de o observar. O astrônomo experimental requer uma verba de pesquisa para construir um maior ainda . Três anos depois, o novo telescópio fica pronto. Se o planeta desconhecido p' fosse descoberto, seria aclamado como uma nova vitória da ciência newtoniana. Mas o planeta p' não é descoberto. Será que o nosso cientista abandona a teoria de Newton e a sua hipótese de um planeta perturbador p'?
Não. Desta vez, ele sugere que uma nuvem de poeira cósmica, n, nos oculta o planeta. Calcula a localização e as propriedades desta nuvem e requer um subsídio de investigação para enviar um satélite a testar os seus cálculos. Se os instrumentos do satélite, possivelmente novos, baseados numa teoria pouco testada, registrassem a existência da nuvem conjectural n, o resultado seria aclamado como uma vitória notável para a ciência newtoniana. Mas a nuvem n não é encontrada. Será que o nosso cientista abandona a teoria de Newton, juntamente com a ideia do planeta perturbador p' e da nuvem n que o oculta?
Não. Sugere que há um campo magnético qualquer c nessa zona do universo que perturbou os instrumentos do satélite. Se o campo magnético c fosse encontrado, os newtonianos celebrariam uma vitória sensacional. Mas não é encontado. Será isto considerado como uma refutação da ciência newtoniana?
Não. Ou se propõe ainda outra hipóteses auxiliar engenhosa ou... toda a história é enterrada nos volumes poeirentos dos periódicos e nunca mais é mencionada." (CHALMERS, 1993, p. 96-97)
Note-se, porém, que, no caso do planeta Mercúrio, cujo periélio precessiona 43 segundos de arco por século, também foram propostas diversas hipóteses ad-hoc para salvar a Teoria Newtoniana:
No caso de Mercúrio, porém, nenhuma hipótese ad-hoc foi confirmada e somente a Teoria da Relatividade Geral de Einstein conseguiu explicar esse fenômeno em 1915. Desta forma, juntamente com mais um grande número de outras evidências, a Teoria Newtoniana foi considerada refutada.
Com
isso, conclui-se
que, em caso de uma
observação discordante, os cientistas
devem exercer bom senso para decidir qual parte do 'andaime'
científico deve ser alterado, já que, em
princípio, um conjunto suficiente de
hipóteses ad-hoc permite
'salvar' qualquer teoria. Geralmente, é utilizado
o critério de parcimônia,
também
denominado Navalha de Occam, usualmente
expresso como"Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor."
Ou seja, prefere-se a teoria que necessite de menos hipóteses ad-hoc.
Uma teoria ser indutiva ou especulativa não é um bom critério de demarcação, pois
Popper propos, como 'critério de demarcação', que Ciência é refutável e pseudociência, não.
No entanto, como veremos adiante, Bunge desenvolveu essa distinção, introduzindo outras categorias, além de ciência e pseudociência.
Exemplos de pseudociências, segundo Popper:
Kuhn,
norte-americano, doutorou-se em Física mas é
mais conhecido como historiador e filósofo da
Ciência.Ficou famoso pelos conceitos de 'Revoluções Científicas' e 'paradigmas'.
Após doutorar-se em Física, por Harvard, Kuhn teve que preparar um curso de ciências para não cientistas e decidiu ilustrar o curso com exemplos históricos de progressos científicos.
Até então, tinha tido pouco contato com a Filosofia e a História, mas vislumbrou uma construção não-linear do conhecimento, com saltos, rupturas e substituições de paradigmas vigentes.
Constatou que, numa perspectiva histórica, a Ciência é muito diferente da visão linear dos textos de física.
Para Kuhn, as ‘Revoluções Científicas’ acontecem em três fases:

Para Kunh,
"Um paradigma é o que os membros de uma comunidade científica compartilham. Reciprocamente, uma comunidade científica consiste de homens que compartilham um mesmo paradigma." (KUHN, 1970)
Um paradigma é uma matriz disciplinar, um conjunto de leis, modelos, valores, aceites pela comunidade. Não é conhecimento rigoroso, é tácito, flexível e vai sendo melhor elaborado com o desenvolvimento da ciência que o reconhece.
Um paradigma inclui:
Isso quer dizer que o paradigma exclui os problemas para o qual não se adapta!
Nesta
fase, o cientista trabalha como numa
resolução de quebra-cabeças.
Nesta fase, se algo não funciona (uma anomalia), em princípio, a culpa é do pesquisador, não do quebra-cabeças. Isto é, deve ser um erro de aplicação do paradigma.
Quando as anomalias se multiplicam, está-se na fase das crises.
No entanto, para ocorrer uma crise, é preciso

É muito difícil que uma ciência abandone um paradigma sem já ter outro para substituí-lo.
Se um cientista decide, ainda que com boas razões, abandonar sua certeza sobre como é o mundo sem substituí-lo por nada, ele deixa de ser cientista.
A Revolução científica acontece quando
Mais do que um período de mudança de paradigmas, uma Revolução científica é uma mudança na maneira de olhar o mundo!

Quando se vê duma maneira (paradigma), não se consegue ver da outra!
Não se consegue ver o coelho e o pato ao mesmo tempo.

Para Kuhn, os manuais
"Referem-se a um corpo já articulado de problemas, dados e teorias e […] ao conjunto de particular de paradigmas aceito pela comunidade científica na época em que […] foram escritos. […] não é necessário que proporcionem informações autênticas a respeito ao modo pelo qual essas bases foram inicialmente reconhecidas e posteriormente adotadas pela profissão." (KUHN, 1970)
Os manuais tem, assim, a função de 'evangelizar' seus leitores no paradigma vigente.
Pozo (1998) apresenta uma proposta de Ensino de Ciências que se assemelha à concepção de paradigmas e Revolução científica e consistiria em
Bunge, argentino, doutorou-se em
Física e Matemática, mas é mais
conhecido como filósofo. Sua obra abrange Semântica, Ontologia, Epistemologia, Filosofia da Ciência e Ética.
Bunge introduziu dois outros campos cognitivos, além de ciência e pseudociência (BUNGE, 1982):
| Ciência Ex.: Física, Química, Biologia, etc. |
Protociência Ex.: Abiogênese, Criônica, Teoria M, Sociobiologia, etc. |
| Não-ciência Ex.: Artes, |
Pseudociência Ex.: Parapsicologia, Psicanálise, Frenologia |
Para Bunge, a pseudociência é perigosa porque
Portanto, para Bunge, estes não seriam critérios de demarcação.
Para Bunge (1982), um campo cognitivo tem 8 características C={G, F, D, B, P, K, O, M}:
Para um campo cognitivo ser ciência, há 10 condições:
Qualquer campo de conhecimento que falhar em satisfazer todos as dez condições acima será designada uma pseudociência.
De outra forma, uma pseudociência é um campo cognitivo PS={G, F, D, B, P, K, O, M} tal que
Lakatos, húngaro,
doutorou-se em Matemática, mas é mais conhecido
como filósofo da ciência.Lakatos tentou compatibilizar o falsificacionismo de Popper, visto acima, com a ideia das revoluções científicas de Kuhn, vista acima.
Para Lakatos, o que nós entendemos como uma 'teoria' poderia ser visto como uma sucessão de teorias e técnicas experimentais ligeiramente diferentes, desenvolvidas ao longo do tempo, e que compartilham uma ideia comum.
A essa ideia comum, Lakatos chamou de seu 'núcleo duro', enquanto que a sucessão em mudança, chamou de 'programas de investigação'.
Segundo essa visão, os cientistas envolvidos em um 'programa' tentarão 'proteger' o núcleo teórico das tentativas de falsificação por trás de um cinturão protetor de hipóteses auxiliares ad-hoc.
Na figura abaixo, estão esquematizados

O Programa da Mecânica, desde a Mecânica Aristotélica, passando pela Mecânica Newtoniana até a Relatividade Geral.

Segundo Lakatos, quando um programa é progressivo, é razoável que um cientista vá alterando suas hipóteses para que ele vá se adaptando às anomalias. No entanto, se ele entra em degeneração, ele entra em competição com outro programas e pode ser falsificado, isto é, superado por um programa melhor, progressivo,.
Uma Teoria, para ser cientifica, deve estar imersa em um Programa de Pesquisa e este deve ser progressivo.
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