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A Energia do Senso Comum

A Energia do Senso Comum. Cadernos da Casa Humana, Casa Humana - Associação Portuguesa de Ecologia Social e Urbana, Almada, Portugal, ano I, n. 1, pp. 21-24, set.-dez. 1999.

Resumo
A palavra ‘energia’ é de ocorrência frequente em nosso vocabulário, especialmente hoje em dia, dadas nossas preocupações com o esgotamento dos recursos energéticos e com a crescente utilização de energias ditas ‘alternativas’ para evitar a poluição do meio ambiente. Deve-se notar, porém, que a utilização dada à palavra energia no quotidiano nem sempre corresponde à definição que lhe é dada no âmbito científico. Tal fenómeno de linguagem é comum e ocorre também para várias outras palavras, tais como ‘força’, ‘trabalho’, etc., apenas para não sair do âmbito da Física. Assim, por exemplo, são comuns expressões como ‘gastar energia’, ‘armazenar energia’ e ‘produzir energia’, as quais não têm sentido para um físico. O resultado é o leitor de uma frase num texto científico assimilá-lo na acepção comum da palavra, a qual possivelmente está distante daquela que o autor pretendia. Pode acontecer que uma notícia referente à questão ecológica, por exemplo, não seja completamente compreendida, o que pode dar margem a sermos fortemente manipulados pela comunicação social. E note-se ainda que a Publicidade, intencionalmente ou não, faz largo uso da conotação positiva que atribuímos a essa palavra para nos induzir a consumir produtos tais como alimentos que ‘dão força e energia’, cosméticos e roupas que têm cor ‘energética’, etc. Essa forma de conhecimento ‘socializado’ não pode ser eliminada. Na verdade, tanto um cientista quanto um estudante devem ser capazes de pensar em ambos domínios de conhecimento, científico e de senso comum, por forma a manterem sua capacidade de comunicação com as pessoas em geral. Para isso, será necessário, todavia, estarem bem conscientes da existência desses dois domínios e dos significados distintos das palavras em cada um deles.

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Referências

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Citar esta página:
dos SANTOS, Renato P. . In Física Interessante. 7 Apr. 2016. Disponível em: <>. Acesso em: .

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